31.12.16

MENINOS EU VI









O verde amazônico deslumbra, ofusca, sugere, acalma, fortalece, e reafirma a vida, sob um céu com entretons de azuis, coalhado de pequenas nuvens brincalhonas; carneirinhos, bolinhas, pequenos elefantes, gotas de chuva, pedaços de algodão, dançam  numa viagem prestidigitadora entre o  alegórico  e a fantasia.
Estamos em Boa Vista, aquela cidade que traz no seu encanto muitas magias.
A tríplice fronteira entre o Brasil, Guyana, e Venezuela extasia os visitantes com sua imponente formação rochosa – o Monte Roraima,  um dos lugares mais antigos do planeta,segundo a lenda apinhando de diamantes. Cada ser vivente tem direito ao seu, sabemos por aqui.
O Rio Branco caudaloso, que não é de Janeiro, mas autenticamente brasileiro, formado pela confluência dos rios Tacutu e Uraricoera corre suavemente onde habita  Iara – a mãe grande das águas doces abençoado pelos  índios Macuxis que enfeitiçam estas paragens.


A cidade  projetada em forma de leque inspirada em Paris, totalmente ao norte da linha do equador, guarda a sete chaves geograficamente, o coração da América.
Tem açaí, cupuaçu, pupunha, mangas, em cada esquina, espécies raras, já não encontradas no sul maravilha. 
Tem gente feliz. Muita gente feliz.  Carregadinho  de gente feliz.
Tem riso, riso e riso. Incluindo o meu  embora forasteiro. Um tremendo riso. 
A felicidade aqui chega nas ondas do vento que balança, balança os cabelos, os galhos das árvores, as saias, os coqueiros, mexe e remexe as águas dos igarapés.
A esperança que abusa  de ser esperança foi construída em  alguns séculos  aprimorada carinhosamente nos últimos quatro anos.

Pode ser este o motivo maior onde bate mais forte todos os desejos. Prospera, rica, fértil é hoje o orgulho do País.
Após quatro anos de uma administração eficiente e bem sucedida, consolidada pelo apoio incondicional da população que saiu às ruas espontaneamente  fortalecendo cada voto - Teresa Surita – mulher, guerreira, arrojada, determinada, moderna, voltada e centrada no hoje – agora - concretizou projetos que permitirão  a construção de um futuro seguro para o povo Boavistense. Será empossada como a 1a. Prefeita com o índice mais alto de aprovação popular do continente Brasileiro.  Parabéns!


..Um velho timbira, coberto de glória, guardou a memória do moço guerreiro, do velho Tupi.
E, a noite, na tabas, se alguém duvidava do que ele contava,

dizia prudente - Meninos, eu vi.  Gonçalves Dias.

8.10.16

ETERNAMENTE COMANDANTE CHE GUEVARA

Ita não veio trabalhar, impossível sair e deixar Marcello. A noite mal dormida, o dia chuvoso, aquela angústia queimando o peito. Que fazer? Passaria o dia entre avaliações da escola, brincaria com Marcello, leria alguns poemas que podiam diminuir aquele mal estar sem sentido aparente.

Após o almoço, liguei a televisão. Quem sabe um filme. Edu inquieto mexendo e remexem do na barriga já num adiantado sete meses quase prontinho para chegar. Marcello insistia em revolver os livros da estante, sua diversão predileta sempre que a porta da biblioteca se encontrava aberta.

De repente, um furacão invadiu à sala: Ernesto Guevara - Che, o guerrilheiro argentino foi capturado cerca de Higueras. – na Bolívia. Outra noticia sobre a prisão do rebelde em poucos minutos. - informou o repórter.

Inverossímil. Puras especulações. Nada disso poderia ser verdade. Nada. Absolutamente. Era mentira. Comecei a chorar.

Estampada na tela TV cabeça tombada para trás, olhos entreabertos como olhando a vida El Che. Assassinaram o Che, Marcello. Assassinaram nosso guerrilheiro heróico abraçada a meu filho chorava desesperadamente. Che representava a esperança viva de liberdade do mundo. Che representava a ternura, a força, o ideal revolucionário. O nosso Comandante Guevara.

 Nem Moacir. Nem Juarez. Somente Marcello com seus 7 meses, e Edu revolvendo no meu ventre. Caminhava de lá para cá alucinada. Desesperadamente perdida. O sofrimento era maior do que razão de não traumatizar duas crianças. Poucos dias, conheci de tamanha tristeza, revolta e impotência, somente comparado ao atentado a avião da Cubana de Aviação, em Barbados.

Hoje 48 anos depois não chove. Marcello está longe, Edu também.  Não choro. Somente  uma  sensação vazio latino americano. 

Reafirmamos esta  saudade que emudece a terra. Ernesto Che Guevara nunca morreu. Floresceu nos campos da América Latina, cruzou fronteiras, ganhou espaço no coração de milhares de gerações que seguem seu exemplo e ostentam orgulhosos sua imagem de ternura intensa.
O Brasil vive uma das crises moral e ética mais profunda de sua história. A direita tenta  a  força retirar direitos conquistados. Nossos parlamentos tem odor a fezes medievais. O povo brasileiro luta contra a falta de ética, dignidade, e perda de valores essenciais. Já não somos querido Comandante  alegres em tristes. Nos fortalecemos na luta diária e estamos preparados para defender nossa Pátria.
América mudou e muito. Conquistamos liberdades. Perdemos outras, seguimos.  Uma certeza não me deixa calar. Sempre algumas gerações procurarão serem como Você.

6.10.16

VUELO 455 - O ATENTADO DE BARBADOS






Marcas profundas jamais se cicatrizam. Inevitável  a tristeza que  acicata nossas lembranças a cada 6 de outubro, não importa o ano muito menos o século.

Sei que a poucas horas da manhã, o voo 455 de cubana de aviação  que recém despegava do aeroporto de Barbados explode no ar. Num ato terrorista,  comandado por Posada Carriles  - nunca condenado,  eram assassinados 73 pessoas entre elas os jovens da delegação de Esgrima, duas tripulações e Norte coreanos.

Da tripulação sei de cor. Meus alunos de português. As madrugadas em Miramar eram animadas e cheias de riso quando a fonética da palavra você ( difícil trocar o B pela B baja) era quase que soletrada.
Disciplinados, felizes, sérios, quase infantis  aprendiam meu idioma natal para comunicar com os irmãos angolanos nem que fosse num portunhal compreensivo.

Alguns meses, de dedicação,quase diária nos fizemos amigos entranháveis. Eles aprendiam português. Eu curiosidades da navegação aérea. Ou como fazer uma lagosta perfeita com chocolate.

Na tragédia, As lágrimas transcendiam a razão. A emoção dominava tudo. Diante, da  dor a dor dilacerante, minha, dos familiares, do povo cubano.

As lágrimas transcendiam a razão. A emoção dominava tudo. Diante, da  dor a dor dilacerante, minha, dos familiares, do povo cubano.

Com voz embargada, as lágrimas molhando a espessa barba  ecoava no abismal  silêncio  da praça da revolução enlutada:
Quando um Pueblo enérgico y viril llora la injusticia tiembla”  sentenciou Fidel.

Há 40 anos, se intenta fazer justiça. Há 40 anos choramos nossos companheiros, não somente a cada dia 6/10 de qualquer ano, mas sempre que o terrorismo abate vidas, destrói civilizações impunimente. Mata, tortura, assassina milhares de seres humanos no planeta.
A justiça é lenta, não tem deficiência visual, sabe o que faz e como faz. Ë  assassina, cruel, mortal. Poucos  tentam limpar as marcas que ela deixa cunhada na lembrança, nos corações, na vida. 
Nossos heróis sempre serão recordados com mais pura ternura. São exemplos de gerações a gerações. Este sentimento  não tem fim nem  fronteiras.

10.9.16

O RIO DE JANEIRO MERECE!







Lá pelos anos 80, na famosa Bodeguita de Rio,  no século passado conheci  Jandira Fhegalli.
Adentrou na nossa vida como se fosse uma esperança pousada na janela. Longos papos sobre a dificuldade de reconstruir o Pais amordaçado pela ditadura que havia levado a tortura  centenas de jovens, assassinado outros tantos e desaparecido com muitos, passando pelos exiliados que como eu regressara,  depois de uma longo dia que durou 21 anos.
 Passávamos horas elaborando etapas que mudassem o rumo da política no Brasil. Foi se forjando dentro do Partido Comunista do Brasil – PCdB ainda clandestino. Percorreu o melhor caminho -  a luta sindical. Da  Associação de residentes do Hospital de Bonsucesso à Presidente do Sindicato dos Médicos, chegou em 1990 a Deputada Estadual. Poucas mulheres tiveram uma carreira política tão rica em aprendizado, forte e definitiva. Era a mulher galgando, conquistando espaço antes exclusivamente masculino. Da Assembleia Legislativa á Câmara dos deputados  representou seu eleitorado com dignidade , força, luta  e coragem invejáveis.

Dias atrás, a encontrei iluminada defendendo a  democracia, propondo com muita competência ser a Prefeita da nossa cidade.

Sabe dos grandes desafios, das dificuldades, do momento histórico conturbado. Sabe que vai ser difícil governar  o Rio de Janeiro, cidade Estado, com seus males nunca resolvidos.

Centralizada na diversidade cultural – alicerce da sociedade, saúde, educação é seu ponto de equilíbrio, único mote possível  para transformar , dar ao cidadão carioca aquela paz necessária, aquela tarde tranquila cercado de montanhas, suavizado pelo verde de suas florestas, beijado eternamente pelo mar.

Assim será. No dia 02 de outubro de 2016, nas primeiras horas da manhã, os cariocas vão correr as urnas.
Poderão numa sábia decisão fazer desta mulher, médica, baterista, guerreira nata, mãe extremada, companheira fiel, a primeira mulher a governar  a cidade maravilhosa. Excelente pedida.

 


9.9.16

SUPER MACUXI - O QUE É QUE BOA VISTA TEM? -





A campanha para Prefeito das capitais brasileiras e a renovação dos Vereadores das Câmaras Municipais  continuam sendo enfadonhas, primorosas nas agressões aos antecessores, repetitivas, necessitando sempre de muito dinheiro para poder falar o já falado, envelhecido de fato  em tempo e espaço, centradas  nos  grandes currais eleitorais.
E, assim vão ganhando os dias, o eleitorado sem perspectiva de escolha no que é melhor para sua cidade, sem entender como e, porque?
"De repente não mais que de repente"a la Vinicius de Moraes surge  Boa Vista,  àquela do famoso Monte Roraima - capital do Estado que faz fronteira do Brasil com a comentada Venezuela e a Guiana Inglesa, surge  no cenário nacional  uma  Campanha eleitoral ousada, moderna, usando a tecnologia para dizer ao povo que Teresa Surita  foi sim a grande Prefeita de um Brasil conturbado, que cuidou e acolheu outros brasis, que fez da cidade referência nacional no cuidado com a sua gente de todas as raças, cores e credo, que foi hospitaleira, consequente, que cumpriu metas possíveis, que primou pela brasilidade e atendimento diferenciado desde o ventre materno aos cabelos prateados num esforço imenso de acertar e dar ao Boavistense uma vida digna de ser vivida.

Por vez primeira, o Brasil numa campanha de eleição regional aparece nas páginas de jornais estrangeiros  e nacional por sua criatividade baseada na cultura, na tecnologia, no aporte de voluntários que aprenderam a doar-se  num exemplo nítido de que falar é fácil - Fazer é a parte complicada.
Entre super heróis - que transmitem  valores éticos, amor a humanidade,  coragem, ternura, dedicação;  as simpáticas chamadas em "Memes ao vivo' pedindo ao Google que atualize seus mapas, porque Boa Vista mudou e como!

Os temas musicais contemplam todos os gêneros e ritmos, descrevendo o belo de um sorriso, a beleza de uma praça onde até Silvio Rodriguez o poeta, trovador cubano  encanta as noites calorosas na linha do Equador.
Bate uma vontade louca de pegar o 1o. voo,  juntar-se a esta gente cheia de valor, ajudar a alegre Teresa a seguir  transformando ,  o centro do coração da América, na cidade de melhor qualidade de vida, de educação, saúde e cultural do pais que amo de paixão.

27.8.16

BEM NO FUNDO - PAULO LEMISNKI

 

Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

13.8.16

FIDEL - EL COMPAÑERO IMPRESCINDÍVEL









¡Cómo lo voy a olvidar! Fue un encuentro casual, muy casual. Al poco tiempo de estar en Cuba, empecé a presentar problemas con la tiroides, por el propio estrés del año de la clandestinidad, por el secuestro del avión; alguna huella tenía que dejar. Yo había ido al Fajardo a verme con mi endocrinólogo, Santiago Hung, y con Mateo, el jefe de Endocrinología en Cuba. Estaba en el lobby, un poco distraída, y no lo vi llegar. Fue en el elevador cuando me fijé en aquel hombre, que de repente me pregunta: ¿por qué te pintas el pelo, muchacha? —siempre he tenido canas. Lo único que atiné a contestar fue: Yo no me pinto el pelo, Comandante. Como se percató de que me había quedado como una tonta, parada como una estatua de sal —sucede con todo el mundo cuando se lo encuentra por primera vez, porque es la propia historia delante de ti, es impresionante—, le preguntó a Mateo: ¿qué tiene ella? ¿De qué nacionalidad es? Mi corazón latía a 200 revoluciones por segundo. Es brasileña y tiene problemas con la tiroides, respondió Mateo. Le empezó a explicar porque, como sabemos, Fidel todo lo pregunta, todo lo quiere saber: cuál es la medicina, cómo es el tratamiento... Es una pregunta ambulante. Y entonces finalmente dijo: Bueno, entonces cuídala, que los brasileños valen oro. ¡Ah, cará, para qué dijo eso! Yo no hablaba con nadie, ni quería que nadie me tocara. Me sentía como un lingote de oro puro.

Cuando hablas con él por primera vez todo se te olvida. Es como ver a Miguel Ángel Buonarroti haciendo el David o a Leonardo Da Vinci pintando. Se te doblarían las piernas, empezarías a temblar... Y luego, no te olvida.

Unos meses después lo volví a encontrar, y la primera pregunta que me hizo fue: ¿Estás bien de la tiroides? Los cubanos saben que él es así, pero cuando uno lo cuenta a otras personas, te miran como diciendo: está loca, está inventando. Hace como dos o tres años, en la presentación del libro La memoria donde ardía, de Miguel Bonasso, conversé otra vez con él: Comandante, ¿usted se acuerda de mi hijo? ¡Cómo me voy a olvidar de mi hijo brasileño! Y abrazó a Marcelo. Enseguida empezó a recordar la niñez de Marcelo, que es un hombre ya. Habló del día en que llegaron los niños chiquitos y él mandó a decir que sí, que los aceptaba como sus hijos y de la Revolución. Así fue cada vez que tuve la felicidad de verlo. Jamás se olvidó de mí. Nunca nos olvidó.

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