10.4.10

2004 - Rio, Capital da democracia


Seja de lado, do alto, de frente, vista por trás o Rio é simplesmente lindo. No Centro, Leblon, em Madureira ele ressoa Brasil adentro levando consigo a magia de uma cidade generosa, hospitaleira, amável, toda beleza.
O Rio é calmo e agitado tudo depende do mar, ou do vento que ultrapassa dançando nas ramas das árvores que misteriosamente habitam suas florestas. O Rio é cidade com cara de felicidade, jeito de menina travessa, curvas de mulheres Niemeyerianas, símbolo de liberdade nacional. Democrática. Estupidamente democrática. O contrate social de cada bairro é sua forma mais sutil de enriquecimento. Afros, europeus, asiáticos, norte, sul, leste, oeste, o fascinante nordeste fazem dela uma exceção à regra. Porque o povo que comparte esta beleza, que respira este ar, biologicamente é especial.
Todas as raças desabrochando numa simbiose onde a diversidade cultural de cor,musicalidade, ritmo, harmonias, religiosidade, política e futebol são temas debatidos nas praias, churrascos, encontros de fim de tarde, na hora corrida do almoço, nas caminhadas domingueiras nos calçadões do Méier ou Copacabana, nas feiras onde o colorido dos vegetais e frutas bailam presunçosos ao som das palavras de ordem dos feirantes, fazendo a diferença das grandes pequenas cidades endinheiradas.
O Rio é terno, suave, meigo no amanhecer apaixonado no por do sol. Violentos somos nós que permitimos, omitimos, calamos, aceitamos passivamente quando governantes inescrupulosos depredam nossas escolas, colocam nas ruas nossas crianças, diminuem o salário dos educadores, fecham cinemas, violentam nossos hospitais. Violento é o nosso silêncio, poucos vezes quebrado diante de uma perda irreparável. Violentos os que preferem passar despercebidas aos problemas do vizinho ao lado.
Por que refletir com cautela ao dar seu voto. Porque não ajudar aos menos informados a escolher a pessoa que dará o devido valor ao ar que respiramos, a poluição da baia, as crianças perdidas nas noites sujas, a sociedade desamparada.
Por que em lugar do descaso não damos as mãos num gesto simples de solidariedade – postura ética e moral difícil de ser aplicada eu sei, não mudamos o rumo do Rio. Porque não largamos em um canto o egoísmo vital para muitos, dividimos um pouquinho do que temos, não o que nos sobra e investimos em atenção, em fiscalização, em respeito a esta cidade maravilhosa que apesar das pauladas do dia a dia, como fênix ressurge das cinzas e enriquece nosso país.

Marilia Guimaraes - Rio de Janeiro, 22 de abril de 2004

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