18.1.11

14/01/2011 - O Encontro dos 70 no futuro

Foi um ótimo momento de reencontro e me emocionei ao rever alguns(umas) companheir@s que não via desde o Chile ou desde a Conferência da Anistia em 1979 em Roma. Fiquei tocado e com o ego massageado por me escolherem para falar em nome do grupo e espero não tê-l@s decepcionado. Perdi a oratória por falta de prática desde que o movimento estudantil ficou para trás. Como contei na minha falação (mas penso que muitos não ouviram) já tinha ficado surpreso com a minha “popularidade” quando me juntei ao grupo dos setenta no Galeão. Como fui o último trocado a ser levado para o galpão onde esperamos a libertação fui recebido com uma ovação. Na verdade não era pelos meus belos olhos mas porque a partir da minha chegada o grupo ficou completo e a troca podia ser efetivada. A ovação não era para mim mas para o septuagésimo preso que chegava. Nem eu conhecia a grande maioria nem a grande maioria me conhecia, a não ser os que tinham história no movimento estudantil. Aliás, fiquei surpreso por ter sido incluído na lista já que desde a saída do Travassos na lista dos quinze ninguém da Ação Popular foi selecionado. Segundo o Sirkis houve controvérsias em relação ao meu nome no grupo dos seqüestradores e a minha inclusão se deveu a uma decisão do Lamarca. Se de fato as coisas se passaram como o Alfredinho me contou haviam boas razões para não incluir o meu nome pois a AP era contra os seqüestros e as ações armadas na forma em que vinham sendo realizadas. Defendíamos a guerra popular prolongada e não achávamos que as condições políticas e militares para o início da luta armada estavam dadas. Segundo o Alfredinho a inclusão do meu nome não foi por ser presidente da UNE mas por ser meio suíço e isto podia aliviar a imagem da luta armada junto ao público daquele país. Aliás, durante as negociações o famigerado Brigadeiro Burnier que comandava a base aérea do Galeão onde eu estava preso incomunicável me fez o seguinte comentário: “reze para não matarem o embaixador pois se isso acontecer pelo menos você vai morrer. Fica um suíço pelo outro.”

Quanto a repetirmos a dose a cada um ou dois anos acho que faz sentido por um lado pois em cinco anos alguns já terão partido desta para (dizem) melhor. Mas, por outro lado, é difícil o deslocamento de tanta gente a cada um ou dois anos. Abraços a todas e todos. Jean Marc

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