16.1.11

Mariela + su bebe

 
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O Brasil anoiteceu salpicado de estrelas e acordou nas trevas para a viver os terríveis “anos de chumbo”, e como conseqüência o rompimento de relações com muitos países que lutavam pela sua soberania. Cuba, 1º. Território livre da América era cortado das páginas da historia do Brasil e com ele o mais jovem diplomata da época Raul Roa Kouri. Vinte poucos anos de juventude, inteligência, paixão, esbanjando alegria e competência deixava nosso pais. De Jorge Amando a Vinicius de Moraes, de poeta a seresteiros, de intelectuais a políticos a revolta com a saída de Raulito fazia-se sentir. Raul Roa representava a liberdade, aqueles jovens barbudos que resistindo o poderio dos Estados Unidos libertou Cuba do verdugo Fulgêncio Batista.
Alguns anos, passaram daquela triste noite quando Antonio Lopes e eu levamos as escondidas Ministros,companheiros do PCB as embaixadas para seguirem rumo ao exílio.
Outros tantos a um 04 de janeiro de 1970, quando chegamos num Caravelle em pane, a ilha de Fidel, inicio de um exílio que durou dez anos.
Como Deus escreve certo por linhas tortas – provérbio de autor desconhecido– entre saudade, tristeza, saudade, tristeza demais dei de cara com Raulito numa daquelas noites em que Brasil e Cuba miscigenavam –se em notas musicais atenuando a minha nostalgia.
Entre encontro e desencontros, Maria de los Angeles a linda cubana, irmã de Silvio Rodriguez casa com Raul e parte num missão diplomática para a ONU.
Anistia Geral e irrestrita,volta ao Brasil, adaptação, novo cotidiano, muitos encontros intercalados de uma enorme saudade. Que fazer ir a Cuba? Trazer os amigos para o cheirinho da terra. Mais bem o ideal – as duas coisas -. Rosy e Augusto, Vicente Feliu, Sara Gonzalez, Nicola, Pablito – o Milanez num vaivém de passeos pelo Malecon a noitadas regadas a trova ora no Recreio dos Bandeirantes depois por muito tempo no It anhanga. A cada viagem Rosy insistia na nina preciosa que amava loucamente o Brasil. Era um vaivém de dicionários, revistas, livros didáticos, romances, músicas + musicas. Decidi pelo melhor porque não trazer a chica tão enamorada pelo meu Pais.
- Difícil – argumentou Rose. Su madre no deja que ella viaje sola. És una adolescente ingênua, chica todavia.
Vamos convencer su mama. Fale com ela. Eu cuido. Juro que cuido. Que tal?
Impossível.
Sabes que? Voy traer las dos. Así ningún problema. Mando la invitación e ya.
Ojala- la antológica canción- invadía el jardín, el corazón, los sueños, los amores, todos cantaban a la misma voz cuando sonó el teléfono.
Quien? Dígame.
Miriam es Silvio.
Ola compañero! Que alegría!
No oigo bien están cantando – dije.
Ya veo. María llega mañana con Mariela mi sobrina. Cuídala como se fuera tu hija.
Mariela es la hija de María de los Ángeles e Raulito. Ama Brasil quase como eu. É minha filha cubana. Cresceu, se apaixonou por Patrício um tremendo trovador chileno e hoje trás para baixo e para cima seu bebe protegido numa placenta musical crescendo feliz ao som de Dajvan, Chico, Tom. Toquinho e Vinicius.
Se alguém achar que qualquer semelhança é mera coincidência não tem razão. Vaya casualidad – diria Nelson Dominguez . Somos uma linda e feliz família cubana/brasileira.

Um comentário:

mariela disse...

hermoso, hermoso, hermoso!!!

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