27.2.11

Reencontros - Primeira Parte

Verde oliva , verde petróleo, verde limão capim da estrada, verde cor de esperanças, verde eternamente verde. Entre o verde exuberante da Mata Atlântica recortada pelas águas barrentas que dividem a cidade de Minas do Estado do Rio Janeiro , Além Paraíba aldeia dos índios Puris, dos tropeiros vindo da corte atraídos pelos minerais preciosos despontou com sua Igrejinha, sua ferrovia e suas escolas – elementos indispensáveis para crescer e multiplicar.
A religião, o poder e o conhecimento. Como Macondo repete as mesmas e infindáveis estórias dentro da história. Rodeada de estrelas, longe do cheiro do mar, escrevi meu primeiro poema, esquecido, deixado de lado em algum rincão do passado usurpado da mãos na sala de aula, onde a ordem era apenas ouvir ou responder se perguntado.
Numa rara noite de saída, permanentemente proibidas pude ir a um baile. Puro luxo para quem vivia na biblioteca mergulhada entre Balzac, Tolstoi, Machado de Assis, uma que outra Iracema , recanto preferido e amado separando-me das paredes cheirando a terços, rezas e procissões.
A juventude é sábia busca, remexe, vasculha, encontra e reencontra.Corria solto pelos corredores a beleza de um certo rapaz cobiçado em sonhos e versos pelas jovens quase professorinhas . Decidimos fazer uma aposta. Bobagem de meninas. Justificativa prefeita para quem não lograsse tocar o coração do galã.
Arrisquei a minha - se até as 12:00, como na estória da cinderela, ele não dançar comigo saio do páreo sem mais delongas. Sei perder.
Mil boleros intercalados entre sambinhas, Nat King Cole estraçalhando corações, Cauby Peixoto embaralhando paixões quando minutos antes das doze badaladas lindo como um deus grego, chegou tímido num gesto de aprovação tomou-me pela cintura cautelosamente, abraçou junto ao seu corpo até que a madrugada anunciou sua chegada. Felicidade só permitida aos privilegiados pelo cupido que vez por outra flecha um que outro coração desprevenido.

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