30.3.11

João Goulart – o Jango – 30/03/1964



Na Gráfica – o ruído do papel penetrava alma a dentro numa sinfonia delirante o ruído das máquinas. Folha a folha a cartilha cuidadosamente começava a ser montada. É mecânico. Matemático. A seqüência lógica deste quebra cabeça das inserções de páginas é fundamental. Se alguma escapole, corre outro caminho, gera todo um conflito de lógica, informação e desentendimentos. Primorosa esta etapa da produção. Olhava enlevada embalada pelo som e agilidade com que rodava de mão em mão até se transformar num livro fininho minúsculo quase, ilustrado cheio de ensinamentos sobre reforma agrária.
Entregar no prazo é fundamental. Todos os jornais davam ênfase as reformas pretendidas por Jango. Limitar remessas de capital para o exterior, nacionalizar empresas de comunicação, rever as concessões para exploração de minérios geravam reações. As retaliações estrangeiras aportavam velozes exigindo das empresas privadas norte-americanas corte do crédito para o Brasil, e interrupção da negociação da dívida externa.
No Congresso, estar com Jango, expressava o desejo brasileiro. Um novo pais. Se por um lado, UNE, CGT, e ligas camponesas reforçavam o apoio, no campo oposto o IPES, o IBAD,FMI e a TFP (Tradição, Família e Propriedade) recrudesciam as contradições de interesses nacional.
A "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", do dia 19 de março em São Paulo, organizada por grupos de direita, conjuntamente com a Igreja Católica reuniu cerca de 400 mil pessoas, fortaleceu politicamente os que almejavam derrubar o Presidente.
Sindicatos, organizações de classe, camponeses, trabalhadores em geral aliados a classe média consciente, estudantes seguravam firmes a bandeira de defesa da soberania do nosso pais.
Caminhões rumo as estradas nas mais diversas direções, Pernambuco, Paraíba, onde o núcleo de Sapé foi um dos mais expressivos, Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro,Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Acre e Distrito Federal, transportavam as primeiras cartilhas das ligas camponesas com os princípios básicos da reforma agrária e a posse da terra.

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