1.3.11

Na medicina e no amor, nem sempre, nem nunca

- Olha uma nimbos enorme!. Vai chover tudo. Sem sombra de duvida, teremos um carnaval quente , banhado de estrelas tanto no céu quanto na passarela – comentou o taxista.
Carnaval este ano cheio de problemas. Na Cidade do samba, União da ilha virou uma labareda negra, se alastrou para minha querida Portela , alcançou a Grande Rio transformando em cinzas o sonho de um ano de trabalho intenso, dedicação, entrega total como suele ser tantos carnavais, por uma hora e vinte minutos de felicidade. Nem mais, nem menos.
Pior é a vida resmungou o chofer.
Porquê?
Estava apaixonado moça. Sabia de tudo. Casada décadas, filhos, uma vida estável, mas como o destino prega peças todos os dias nas horas vagas, eis que entra no carro um velho e grande amor. Nem posso descrever aquele azul – como cantou Paulinho da Viola -.Fiz de um tudo. Passei a viver a euforia de um adolescente. Esqueci o lá fora. Pregado no computador esperava ansioso viver aquele lembrança. Doce, terna, mal resolvida claro. De não ser assim teria passado como tantas outras que deparo em alguma esquina, não batem forte meu coração. Mas, com ela havia sido diferente. Muito diferente. Poucos beijos, nada de relações intimas, uma brusca despedida – o vácuo. Recuperar um minuto voltar atrás o ponteiro. Presente maior impossível.
Email, mensagens, músicas. Só faltava aquele abraço forte demorado, aquele beijo não roubado, aquela caricia perdida no tempo. Aquela umidade na tarde, um que” já vivi e que te vas”.
Como passe de mágica uma foto, uma cobrança da minha insistência, uma frieza crua sem sentido. Nocaute. Fui pego num nocaute estúpido, logo eu que nunca deixe o coração dominar meus neurônios. Logo eu. Respondo três ou quatro coisas malcriadas. Fim de papo. Não vale a pena remexer nas lembranças.
Ciao.excelente decisão. Não vale a pena remexer nas lembranças.
Desço rápido. Preciso desligar os equipamentos antes das trovoadas e relâmpagos, mas não sem ler os meus emails. Entre tantos a triste noticia Marilene Ramos chegou feliz a Saquarema para passar o carnaval e de pronto tudo escurece. ...Professora de História, já chegou agitando, fazendo discurso, organizando, enchendo o ambiente com a sua figura alegre, falante e bem humorada descreve Eli – a moderadora do Grupo de 68.

Adormeci inconformada. Pensei no taxista que desistiu de resolver uma pendência do passado e da inesperada partida. Num piscar de olhos, a alegre companheira de tantas lutas emudece para sempre.
De manhã, fui fazer as famosas mamografias e ultras mamárias. Lá estão eles anos dois nódulos, pensativos, de igual tamanho na espera de um descuido bobo como foi o do motorista para pegar-me de surpresa. Por esta e por outras temos ser que estar atentas e fortes - Na medicina e no amor, nem sempre, nem nunca.

Um comentário:

Rede em Defesa da Humanidade - Capitulo Brasil disse...

excelente materia. é assim mesmo. Nem mais nem menos.

Arquivo do blog