26.4.11

A vida é bela



Depois de tantos feriados, de quarta a domingo encarar uma segunda – feira só se o inesperado aprontasse uma surpresa.
Comecei por ir ao dermatologista que eu creia ser o mesmo de muitos anos atrás, pois a minha querida Bruna anda desaparecida desde que foi trabalhar na Clinica do Eike Batista. O dermatologista não valeu. Deixei um recado no celular dela.
Um mal estar começava a incomodar minha garganta , uma leve dor de cabeça e de pronto febre. Caramba, não posso. Tenho que ir a São Paulo gravar meu depoimento para a novela Amor e revolução a convite de Tiago Santiago. Ä noite jantaria com um dos maiores poetas deste Pais Thiago de Mello. No dia seguinte, como sempre faço iria ver meus dois Zés - o amor eternizado José Ibrahim, o outro Zé – companheiro de longas datas por quem nutro uma profunda admiração e carinho – o Dirceu, e se a vida permitir rever alguns velhos amigos.
Tudo errado. A virose – designação utilizada para resfriados, gripes, dengues, infecções intestinais e algumas vezes mal de amores tomou conta do pedaço.
A tristeza bateu forte. Avisar e desapontar a produção tão feliz com resultado de Amor e revolução e dos depoimentos foi decepcionante.
De repente, um email da Embaixada Cubana rompe a tarde numa onda de felicidade. Uma carta de Fidel Castro para mim e outra para o companheiro de sonhos Oscar Niemeyer.
Outro email entra na caixa de entrada – uma receita de como curar um resfriado de meu amado poeta, que vou compartir com vocês. Só não fica curado aqueles que tem no lugar do coração um grande vazio.
..“Fica logo boa, Querida Marilia, com o remédio que minha mãe Dona Maria
me ensinou?
Descasca um limão dos graúdos, como se faz com laranja, deita as cascas a ferver
numa caçarola. Enquanto ferve espreme bem o limão numa chávena, tira os caroços do suco.
Deita depois um dente de alho, esmaga muito bem dentro do suco, acrescenta um
pedaço pequenino de mangataia (gengibre), amassa misturado com o alho. Enche bem a taça com a água fervida (sem as cascas). Deita uma colher de mel de abelha, espera esfriar um pouco, toma aos goles vagarosos,lembra de mim e deita para dormir.
Se estiveres rouca, deixa para me chamar na quarta-feira.
Te quiero, compañera de esperanza.
Thiago"

Para completar Eduardo abre um livro e dentro tira guardando com todo carinho uma partitura manuscrita numa folha pautada do grande Paulo Moura, um funk lindo composto e dedicado a mim, em 1982.
A ronquidão persiste, mas outras mazelas tomaram caminhos opostos ao meu.
Entre tantos amores, vividos e por viver não tem virose que resista.
Perdi a gravação. São Jorge deixou passar seu dia, e mandou um tremendo aguaceiro para purificar o Rio de Janeiro e provar que estamos quase chegando lá em organização, apesar das intempéries. Por estas ou por outras tantas é que vale a coerência na vida.

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