12.6.11


A Flor da Pele



Sempre chega sem pedir licença, recolhendo os cacos ou levantando catedrais, num olhar fulminante, num toque de mãos entrelaçando a cintura, chega como um tornado, ou suave como o roçar de uma pétala de flor. Surge no momento em que o Por de Sol desaparece naquele terceiro instante, ou nas notas musicais de uma guitarra. A forma que vai tomando ao dominar seus sentidos não explica as conseqüências nem a resistência. Deste modo, invade sempre a vida em todas as etapas. Alguns demoram entender o que sucede, outros a força com que explode é tanta que desmoronar, entregar-se exige um esforço sobre-humano de entendimento. Desta forma, cresce, modifica, embaralha, amarrota, despedaça tempos, momentos, por vezes em frações de segundo,outras uma vida inteira, muitas tão apenas fragmentos de extrema beleza e entrega.



As cores tomam outra tonalidade, as pulsações aceleram desacelerando a espera, o coração bombeia em velocidades extremas, os dias aperfeiçoam seus contornos lógicos, pode estar escuro mas se canta.

Tudo transforma num novo rodopio de viver diferente. É a conjugação do verbo amar. Simples, voraz, corriqueiro, zeloso, ciumento, eterno, passageiro. Seja do jeito que for vale a expectativa, a entrega. Vive-se neste compasso de espera séculos trás séculos todos carregados de ternura. Igualmente viveremos mesmo que outras vidas nos separem, outros olhos se percam na imensidão de outros mares, no ofuscar de novas estrelas cadentes.

Extraordinário é não cerrar as portas que alteram o curso deste fluxo afortunado que nos brinda a vida. A capacidade de sempre estar enamorada.

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