18.12.11

Entre o azul e o medo

Amanhecia quando me banhei, lavei a cabeça, preparei –me linda para chegar à Clinica São Clemente. Dr. Cabral esperava tranquilo, confiante. Em pouco, estava na sala de operações. Eduardo deveria ser retirado antes que a bilirrubina subisse mais do suportável, para o bebê. Com RH negativo – década de sessenta – sem a tecnologia de hoje, uma cesariana era a solução.
Rápido dois olhinhos azuis olhavam ao redor. Num corre corre, médicos, enfermeiras manipulavam a retirada troca do sangue através do cordão umbilical. Anestesiada apenas soube do resultado.
- Excelente. Não tenho dúvidas que foi um sucesso – alegou Dr. Michael Sader.
Horas depois já recuperada do anestésico admirando as folhas balançando ao vento, entrou Marcello subindo na cama, quase me arrebentando os pontos para comemorar a chegada de seu irmãozinho. Faltavam dois dias para que ele fizesse um ano. Falando pelos cotovelos diz que Edu lindo. Lindo. Lindo e mexe com as mãozinhas.
- Gostou.
- Gostei. Ele vai brinca comigo. Vai.
- Vai e muito, por toda a vida afora.
Desse modo chegou naquela manhã de dezembro sob o signo de sagitário dia 15, meu segundo dos meus maiores amores.
È duro como uma rocha, terno tal qual o azul dos seus olhos. Não mede esforços para o sim ou para o não. Destemido enfrenta a vida, vai em frente sem curvas. Resistiu àqueles dias de dezembro para sobreviver. Quisás esta guerra interna determinaram seu caráter. Venceu todas as batalhas. Ganhou a guerra e caminhou em frente construindo sua vida.
Aprendi muito. È meu analista, amigo, maior incentivador. Enfurece se caio no caminho algumas vezes quando a pressão chega ao limite, mas me levanta.
- Romântica empedernida, sonhadora, guerreira, aprendi que a vida é assim. Tem Nicholas minha doce e suave paixão, Vitória, a mais doce alegria, e Márcia – companheira há anos.
Caminhamos juntos os três faz quarenta e quatro anos, somando amigos pela estrada. Brigamos, sorrimos, mas como poetiza Roque Dalton:
... que mis venas no terminan en mí,
sino en la sangre unánime
de los que luchan por la vida,
el amor,
las cosas,
el paisaje y el pan,
la poesía de todos.

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