9.1.12

O mito da necessidade

Além Paraíba

Os anos passam, ás águas do verão em desequilíbrio pela violentação ambiental desnudam a verdadeira face de nossas administrações municipais e estaduais. Décadas pós décadas a mesma história. Salários do erário público esbanjados em obras faraônicas – todo Faraó tem sua pirâmide – super faturadas dividas com anterioridade para o bolso de cada envolvido no projeto seja ele qual for, e lá vem miséria descendo a ladeira, transbordando rios, alagando praças antes nunca maculadas, vidas boiando a mercê da corrente. E que?
A correr porque a chuva vem trazendo a felicidade conquistada a duras penas. Como àquele fogão comprado no recém-natal passado, a TV esperada, quem sabe o colchão para as crianças que cresceram muito nestes últimos 365 dias. Qualquer coisa de insólito pode advir diante de nosso olhar complacente reclamando alto, mas humildemente carregando alimentos para os desabrigados, catando roupas, sapatos que não usaremos no próximo inverno, acreditando assim cumprir com nosso dever de cidadão solidário.
Passa a chuva, desaparece entre a podridão acumulada as doenças típicas destas catástrofes. O aedes aegypti esconde transformando as UPA´s num sucesso governamental, novas doações federais num ciclo histórico lembra Camus na sua introdução a filosofia do absurdo ao comparar o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, uma personagem da mitologia grega, condenado pelos deuses a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, e vê-la rolar para baixo novamente.
Que personagem vamos escolher para representar? Sísifo? Ou exercer a nossa cidadania para organizar a sociedade civil mudando de fato o Brasil.

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