21.7.13

E, a culpa segue sendo do Fidel.


Ando morta de saudade.  Saudade dói, não tem tradução, é difícil de explicar. Não é lembrança, nem nostalgia, nem vontade de.  A Saudade é feminina. Forte, decidida, composta , complexa, machuca, alegra, transporta, marca encontros, estabelece, flui como riacho em busca do mar. Sofre e, é sofrida.
Busquei motivos, demarquei fronteiras, rasguei lembranças, quebrei a nostalgia em cacos pequenos bem pequenos, viajei caminhos desconhecidos, passeei pela memória e fui desaguar no Malecón Havanero.
Era madrugada alta. Silvio ( Rodriguez), tenho alguns  Silvios - Tendler, Batistela, Da Rin  que amo de paixão. Caminhamos uns passos, sentamos,  permanecemos olhando o mar. 
Algo me disse  de extraterrestres, que chegam através de todas as partes do universo e vem escutar a conversa dos homens. Trocamos quase murmurando algumas palavras. Não queríamos ser ouvidos. Eu estava possuída pela saudade . Qualquer gesto torto podia quebrar a magia daquele momento. Silvio sempre esteve presente na minha vida em momentos muito definitivos – nas parcas alegrias e nas grandes tristezas  ou vice- versa.  Somos grandes amigos. Conhecemos o tamanho das nossas luas. Ele na Orsa maior. Eu a do Cruzeiro do Sul. Ele com sua poesia cantada, explicável mente  linda, eu com meu  jeito brasileiro de ser – claro que ligo ainda esta semana, melhor passo pela sua casa -.e, por ai vai.
Viajamos quilômetros a cada discreta onda enamorada beijando as pedras que bordeiam a orla. Ia e vinha ao Brasil, tartareava Caetano, viajávamos ¨olhos nos olhos¨ buarqueanamente. Entre um silencio e outro a Bahia surgia esplendorosa. Depois do Rio a sua paixão era a Bahia. A minha o Rio, depois o Rio... muito depois a Bahia.
Ausentávamos, nos perdíamos no mar, num vaivém suave de emoções caladas.
Amanhecia quando deixamos a mureta. Possuídos  pela energia que emana das águas necessitávamos dormir  ou  mais provavelmente Silvio comporia uma canção, eu escreveria um poema que ficaria guardado e se perderia no tempo. Fiquei em Miramar, ele regressou a Vedado.
Passeando por dentro  deparei  com  a causa – trovadores, poetas, e o cheiro daquele  mar fazem uma falta danada na minha vida.

Isto é, sinto falta do Malecón, daquele pedacinho  onde começa os sonhos quase em frente ao Prado. 

Um comentário:

Anônimo disse...

Boa noite, Mirilia!
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Cláudia

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