16.6.16

UM PUNHADO DE ESTRELAS

Parecia plumagem ao vento quando tocou o solo sem querer violar cada pedacinho das ruas iluminadas. Caminhei devagar desfrutando o cheiro longe do mar.
Faz tempo ando curiosa. Entre o  longínquo ponto norte americano, ao sul do extremo continente, numa rua para mim desconhecida na fronteira do meu país, pulsa o coração da América. 
Inquieta buscava na madrugada, na calma da noite o amanhecer. Se ensolarado ou chuvoso nenhuma diferença, abraçaria meu poeta, seresteiro, amigo, companheiro de toda uma vida, meu filho brasileiro, carioca, macuxi, entraria no imaginário do meu Pablo querido.
Os primeiros matizes de verde foram surgindo enquanto no horizonte o sol despertava ainda tímido sob seus feixes de luz – estou na Boa Vista Pablo - orgulhoso pronunciando suas primeiras palavras. Estou na Boa Vista. Vou desvendá-la, esmiúça-la, vira-la pelo avesso descobrir o gosto, seus costumes, tocá-la, encontrar seus
segredos
.

Num susto o toque do WhatsApp desvia meus sentidos.
Bom dia, criança!
Bom dia!  (Todos os dias esta frase se repete) (Hoje....)
Vem cá – respondo
E, a distância se fez presente logo ali, olhos adentro. Nestes momentos sempre bate aquela dúvida – nunca sei se gosto mais de mim ou de vocês. Sei que valem anos de um caleidoscópio onde verbos substantivados, adjetivos perdidos em frases inacabadas, angústias mal resolvidas, felicidade, lágrimas, risos se perdem no calor do abraço apertado.
Por onde anda Teresa?
Chega no voo da 1:00h. Sempre dando duro. Arrojada esta menina moça, mulher feita, avó, mãe, companheira, guerreira das boas.

Assim nasceu, cresceu, foi tomando forma este paraíso apesar de uma conturbada conquista, em 1887. De uma fazenda ás margens do Rio Branco um dos mais importantes da região Amazônica,invadida pelos descobridores ingleses, espanhóis, interessados na criação de gado, abriu-se  ás margens de um dos mais importantes rios da região amazônica – o Rio Branco.





Da fazenda construída a beira do Rio vai surgindo um povoado entre a brisa que vem das águas ao gosto do vento, ao bronzeado pelo sol na linha do equador.
Principal concentração de terras indígenas, os ianomâmis, o macuxi – principal etnia indígena latina -americana, terra fronteiriça no extremo norte do pais desperta a magia de quantos passam ou ficam por aqui abençoados pelo Monte Roraima, morada de Makunaima, fecundado no topo do Monte durante um eclipse, segundo os índios Macuxi, cresceu forte, e tornou um guerreiro. Seu povo herdou a fortaleza dos ventos, a força das águas, a suavidade e a luz de suas estrelas.


Um comentário:

Montserrat Ponsa Tarrés. Miembre EDH Rio disse...

Palabras mágicas, salidas de un corazón puro, amoroso, que ama la vida, la família, los amigos, el mundo.
Siempre mirando hacia adelante, intentando construir un futuro de esperanza, lejos de la ambición y la tragedia que promueven "otros" para quienes solo vale el poder...
Gracias Marilia por contarme entre tus amigos, también lo eres para mi desde que te conocí hace ya muchos años en nuestra bienamada Cuba. Sigue como siempre con tu mirada nítida iluminando a quienes contamos contigo, esperando un mundo mejor para "todos": la Humanidad.

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